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Jornalista da Folha de S.Paulo,
mestre em história da ciência pela PUC de São Paulo, autora dos livros ("Quero Ser Mãe", editora Palavra Mágica, e "Por Que a Gra- videz Não Vem?", editora Atheneu) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() "Quero Ser Mãe"O livro conta histórias reais de 30 mulheres que fizeram fertilização artificial em razão de diversos problemas ![]() "Por Que a Gravidez Não Vem?"Esclarecimentos sobre infertilidade conjugal a partir de dúvidas de quem vive o problema ![]() ![]() ![]() ![]() Ginecologistas
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Mamãe Odete Depois das portas fechadas, Depois das opiniões médicas contrárias, Depois dos bens vendidos, Depois do emprego perdido, Depois do amor desfeito, Odete, aos 47 anos, é mamãe. Dandy e Ricardo nasceram no último dia 22, na 32ª semana de gestação. Assim como a mamãe, nasceram guerreiros, lutando contra a prematuridade. Para quem não a conhece, Odete é antes de tudo uma amiga muito querida. Foi uma das primeiras leitoras a acessar a minha coluna na Folha Online, há cinco anos, e desde então sempre esteve muito presente na minha vida. Nos lançamentos dos meus livros, nas minhas palestras, no meu casamento, estava sempre ali, na primeira fileira, com aquele coração que não cabe no peito de tão grande. Na sua luta por filhos, ouviu de vários médicos o conselho de desistir. Escutou quase tudo: que estava velha demais, que estava gorda demais, que tinha miomas demais, que tinha dinheiro de menos. Mas essa fera não desistia. Desempregada, chegou a rifar os eletrodomésticos para bancar os tratamentos. Foram tantas as portas que bateu e tantos "nãos" que ouviu até que encontrou uma porta aberta para a realização de uma FIV (Fertilização In Vitro). Entrou de cabeça nesse último fio de esperança. Beta HCG positivo. Ultra-som mostrando dois embriõezinhos pulsando. Sangramentos. Sustos e mais sustos. Passou a gravidez praticamente de repouso, foi aconselhada a desistir de um dos bebês em razão do não-crescimento fetal a contento, mas, de novo, qual uma leoa na defesa das crias, Odete encheu-se de certeza de que sua menininha tão desejada sobreviveria. E lá está Dandy, com pouco mais de 700 gramas, na UTI neonatal do HC, dando a todos uma lição de determinação, de fé e de sede de vida. Hoje, ao receber um e-mail de Odete com as primeiras fotos dos bebês, não me contive e fui às lágrimas. Acredito sim que tudo na vida tem a sua hora certa de acontecer. Mas nada cai do céu. E a história da guerreira Odete é uma prova incontestável disso. PS - Infelizmente ontem, dia 14, Dandy não resistiu a uma infecção. Foram 20 dias de vida. Odete, querida guerreira, lembre-se que lá "no céu de estrelas", como bem citou a Fabi, Dandy estará olhando por você e pelo irmãozinho Ricardo.
Escrito por Cláudia Collucci às 16h01
![]() Novas tecnologias às tentantes e uma dica para as grávidas
Para os tentantes Um novo teste de fertilidade masculina capaz de avaliar a estrutura do DNA do espermatozóide começa a ser usado no Brasil. O exame, chamado de "Teste da Estrutura da Cromatina Espermática", identifica a quantidade de espermatozóides com DNA defeituoso numa amostra de sangue. Hoje, os exames disponíveis conseguem analisar apenas o formato dos espermatozóides, a mobilidade e a quantidade em amostras coletadas. Pensava-se que, para fecundar o óvulo, o sêmen deveria conter 14% de espermatozóides com formato normal, 50% com boa mobilidade e 20 milhões de unidades mililítricos. Hoje, sabe-se que não adianta o espermatozóide se enquadrar no padrão do espermograma se 30% deles ou mais tiverem DNA defeituoso. Nos Estados Unidos, esse teste já é rotina há dois anos. É indicado, principalmente, aos casos de infertilidade sem causa aparente e aos maridos acima de 50 anos ou expostos a agentes tóxicos. Nas clínicas brasileiras, o exame vai custar cerca de R$ 300 e demora cinco horas para ficar pronto. Para as tentantes Quem sofre da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das principais causas de infertilidade, e que provoca alterações do ciclo menstrual, aumento dos hormônios masculinos, excesso de pêlos (hirsutismo), acne, obesidade e resistência à insulina, tem uma alternativa que já começa a ser testada no Brasil: a maturação dos óvulos no laboratório. Após a estimulação ovariana, os óvulos são retirados antes que estejam maduros. Feito isso, simula-se o ambiente do ovário com substâncias que apressam a maturação. Depois segue-se o processo tradicional de fertilização in vitro. Para as grávidas: Praticar hidroginástica durante a gravidez aumenta em até 21,5% o volume de líquido amniótico (fluído que envolve o embrião, preenchendo a bolsa amniótica) na gestante. O líquido _fundamental para o desenvolvimento do bebê_ é o principal mecanismo de defesa do feto contra possíveis traumas na barriga. A constatação desse benefício da hidroginástica surgiu em estudo realizado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com gestantes entre 19 e 36 anos, no Hospital das Clínicas de Campinas. As gestantes foram submetidas a aulas de hidroginástica três vezes por semana. O líquido amniótico é importante para proteger o feto e também para o seu desenvolvimento. É ele que realiza toda a troca de fluidos do feto, como eliminar a urina. Além disso ele contribui para a formação do tubo gastrointestinal do neném. O estudo reforça a tese de que a hidroginástica não causa nenhum prejuízo nem para a mãe nem para a criança. Entre as mulheres analisadas, nenhuma teve parto prematuro e nenhum bebê nasceu com baixo peso. Além disso, todas as mães conseguiram manter o peso considerado ideal durante a gravidez.
Escrito por Cláudia Collucci às 20h44
![]() Ao bebê que ainda não veio Meu futuro bebê querido, Domingo, pensei muito em você. Estava numa festa familiar de aniversário, que aconteceu em um parque de diversões, rodeada de muitas crianças e algumas mamães grávidas dos segundo/terceiro filhotes. Ficou praticamente impossível não sentir a tua falta: na minha barriga, no meu colo ou em algum daqueles brinquedos que tanto alegrava a criançada. Em cada uma daquelas crianças, ficava imaginando você. Na esperteza e independência da pequena Heloisa, que, no alto dos seus dois anos, dava um baile nos pais, fugindo por debaixo das mesas e querendo se juntar aos irmãos maiores que pulavam de brinquedo a brinquedo. Na garra e persistência do bebê Clark, que, nascido no sexto mês de gestação e submetido a uma complicada cirurgia cardíaca, está pleno de saúde. Aos nove meses, ensaia os seus primeiros passinhos e balbucia os "mama" e "papa". Na comunicativa e divertida Catherine, que, aos oito anos, é dotada de uma sensibilidade extrema e faz amigos por onde passa. Enfim, uma a uma, aquelas crianças carregavam um pouco das qualidades que sonho para você. Vê-las tão felizes, sendo apenas crianças, foi como tomar uma injeção de ânimo e de esperança de que a sua chegada está próxima. Não senti inveja das barrigudas e tão tampouco me entristeci quando uma delas perguntou se eu estava grávida em razão do meu vestido solto, a la Vitória, da novela "Belíssima". Retruquei com um belo sorriso sincero: ainda não, mas certamente estarei até o próximo aniversário.
Escrito por Cláudia Collucci às 13h18
![]() Posicionamento dos médicos mineiros sobre o comércio de óvulos humanos A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG) manifesta sua preocupação frente ao relato de comércio de óvulos, fato que já preocupava a entidade e que agora chega à opinião pública através de uma reportagem do jornal "Folha de São Paulo". Intitulada "Clínicas médicas trocam óvulos por check-up", a matéria foi publicada no último domingo, 12 de fevereiro de 2006. Segundo a reportagem, que prima pela minuciosa apuração dos fatos ao expor um cenário preocupante na área médica, "jovens universitárias têm sido recrutadas por clínicas de reprodução para doar óvulos a mulheres acima de 40 anos com dificuldade de gravidez. Em troca, as instituições dizem que oferecem check-ups ginecológicos" e outros, "métodos contraceptivos". Como exemplifica a matéria, a troca também envolve dinheiro. Trata-se de comércio de óvulos, algo inaceitável em qualquer instância, mas sobretudo se praticado por aqueles que devem ter como princípio, mais do que qualquer outro profissional, o respeito à vida. O que nos preocupa sobremaneira é que fatos isolados levem a opinião pública a crer que esta é uma prática aceita entre os médicos mineiros e possam macular um Estado que se tornou referência nacional na área de reprodução assistida justamente pela competência científica e ética. Que fique claro à população que não somos, de forma alguma, contra a doação de óvulos, um avanço científico que beneficia um grande número de casais que não podem ter filhos e que necessitam da ciência para a realização do sonho da maternidade. Simplesmente, lutamos para que a ética e a transparência guiem tais procedimentos e garantam a segurança dos pacientes na busca deste sonho. É também nossa missão esclarecer para a sociedade que a mulher que se submete a um tratamento de fertilização in vitro necessita obrigatoriamente se submeter aos procedimentos de indução da ovulação e retirada cirúrgica de seus óvulos. Faz parte do tratamento. O que ela está fazendo é doar os óvulos excedentes que ela produziu. Esta mulher que doa seus óvulos passa por um risco necessário com um objetivo nobre: tornar-se mãe. Por outro lado, as mulheres que se submetem à doação em troca de dinheiro realizam um procedimento cirúrgico que nunca teriam indicação e infelizmente correm um risco desnecessário por motivo pecuniário. Existem outros equívocos que necessitam de esclarecimentos antes que sejam percebidos como verdades pela população, como, por exemplo, a necessidade, defendida por alguns profissionais, de se retirar óvulos para diagnosticar a fertilidade da mulher. Isto não existe nem nunca existiu e nos parece uma forma fraudulenta de convencimento. São muitos os que compartilham de nossa preocupação. Nos últimos dias, a SOGIMIG recebeu diversas manifestações de pacientes, organizações não governamentais, jornalistas, médicos e associados solicitando posicionamento desta associação de classe, além de mais informações sobre o relato do comércio de óvulos. A inexistência de uma lei específica que condene esta prática não é justificativa para deixarmos de lutar pelos pressupostos éticos que devem reger não apenas o exercício da medicina, mas também as relações humanas. É ético doar óvulos em troca de exames? É ético trocar óvulos por métodos contraceptivos? É ético vender óvulos? No que diz respeito ao Código de Ética Médica, o Artigo 43 do Capítulo 3 e o Artigo 75 do Capítulo VI são claros em condenar tais atitudes. A SOGIMIG teme que práticas como essas possam comprometer a evolução da medicina nesta área, como tristemente ocorreu recentemente na Itália. Como é de conhecimento geral, a reprodução assistida foi praticamente banida naquele país após prática inadequada de uns poucos médicos – um retrocesso histórico e uma perda para os casais inférteis daquele país. O Conselho Federal de Medicina é claro em seu posicionamento através da Resolução CFM nº 1.358/92, artigo IV, quando diz que "A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial". A SOGIMIG, por sua vez, com o intuito de nortear seus associados na melhor prática ética da reprodução assistida já protocolou consulta no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais para levantar questionamentos sobre todos estes pontos. Temos convicção de que medidas cabíveis serão tomadas frente à publicação da referida matéria. ASSOCIAÇÃO DE GINECOLOGISTAS E OBSTETRAS DE MINAS GERAIS
Escrito por Cláudia Collucci às 19h43
![]() A acidez vaginal pode impedir a gravidez? * Esse equilíbrio depende da virulência da bactéria, da imunidade da hospedeira (mulher) e da adequada produção de ácido lático que permita manter a acidez vaginal num pH (concentração de íons hidrogênio) entre 3,5 e 4,0. Portanto, a presença de bactérias e fungos na vagina é normal mas, se houver desequilíbrio do seu ecossistema, um ou outro microorganismo pode se multiplicar, originando as vaginites por Tricomonas ou Cândida e da vaginose Bacteriana (Gardnerella vaginalis) Quando procuramos na literatura especializada de infertilidade notamos a ausência total de capítulos dedicados a relação entre a alteração do pH vaginal e as vaginites e as causas de infertilidade. Ainda assim, quando não há outra razão para a dificuldade de gravidez, muitos médicos fazem essa associação e indicam soluções caseiras, como o banho de assento com bicarbonato ou chá de camomila. Esses recursos podem melhorar o pH, mas não há comprovação de que vão melhorar as chances de gravidez. Sabe-se que o pH vaginal é ácido e que os espermatozóides não conseguem sobreviver neste pH. Mas esta explicação é simples demais. Sabemos que os espermatozóides são depositados durante a ejaculação no meio vaginal, protegidos pelo líquido seminal e não isolados. O líquido seminal, inicialmente “coagulado”, é lentamente diluído pela acidez vaginal e seus componentes alcalinos funcionam como um tampão. Ao líquido seminal se associa a ação alcalinizante (básica, oposto de ácido) das secreções vaginais que surgem durante a excitação sexual, bloqueando a acidez vaginal em segundos e mantendo o pH adequado à sobrevida espermática por entre 6 e 16 horas.Tempo mais que suficiente para que os espermatozóides possam penetrar pelo cérvix através do muco cervical, escapando da ação deletéria dos íons hidrogênio. É difícil entender como uma vulvo-vaginite poderia alterar de tal forma a acidez vaginal a ponto de conseguir contrabalançar todo este mecanismo fisiológico de controle da acidez vaginal. * baseado em texto publicado pela equipe do Centro de Reprodução Humana de Campinas
Escrito por Cláudia Collucci às 12h04
![]() Abaixo, postei quatro textos meus sobre a doação de óvulos, que saíram na edição de hoje da Folha de S. Paulo. Creio que, a partir deles, dá para ter uma noção de quanto a questão é polêmica, até entre os médicos. Minha idéia com essa matéria foi mostrar que, em um país que inexiste lei sobre a reprodução assistida, as clínicas vão criando suas próprias. Defendo que essa questão seja regulamentada o quanto antes, sem moralismos. Não sou contra a doação de gametas (óvulos ou espermatozóides). Ela deve existir sim, porque beneficia muitas mulheres, mas dentro de princípios éticos e sérios. Não considero a doação de óvulos tão simples como a doação de sangue, por exemplo. Apesar de anônimas, essas doadoras precisam estar acessíveis caso ocorra algum problema com o bebê. Exemplo: já houve um caso de um bebê gerado por doação de óvulo que nasceu prematuro e começou a apresentar muita hemorragia. Os médicos não sabiam se o problema era causado pela prematuridade ou por algum fator genético, o que mudaria a conduta. A doadora foi chamada pela clínica, se submeteu a exames que descartaram o problema genético e tudo ficou resolvido. Por isso, repito: não podemos nos furtar desse debate. Clínicas médicas trocam óvulo por check-up
CLÁUDIA COLLUCCI DA REPORTAGEM LOCAL Jovens universitárias têm sido recrutadas por clínicas de reprodução para doar óvulos a mulheres acima de 40 anos com dificuldade de gravidez. Em troca, essas instituições afirmam que oferecem check-ups ginecológicos e métodos contraceptivos. Porém, três mulheres relataram à Folha que receberam de R$ 800 a R$ 1.500, em dinheiro, pela "doação" dos óvulos. Elas pediram sigilo em relação aos nomes das clínicas -uma de São Paulo e outra de Minas Gerais- em razão de um compromisso firmado com as instituições. Procuradas pela reportagem, as clínicas negam a compra de gametas. Apesar de inexistir lei que regulamente procedimentos de reprodução assistida no país, o CFM (Conselho Federal de Medicina) veta o comércio de óvulos e espermatozóides. A infração pode levar à perda do registro profissional. Os EUA são o único país que considera legal o comércio de células reprodutivas. Páginas na internet oferecem, por até US$ 15 mil (R$ 32.400), óvulos de mulheres com as mais diversas características físicas e intelectuais. Na doação de óvulos, a mulher recebe injeções de hormônio na barriga para estimular o ovário. A retirada é feita com uma agulha pela vagina, sob sedação. Há risco de hemorragia e reação alérgica. Além de passarem por exames, as doadoras preenchem formulários com as características físicas (cor da pele, dos olhos, peso e altura), tipo sangüíneo e doenças que já teve. Algumas clínicas fazem o perfil psicológico e pedem fotos das mulheres quando bebês. Na clínica do urologista Roger Abdelmassih, 30 universitárias, com idades entre 23 e 26 anos, estão inscritas como doadoras. Segundo o médico, as jovens doam em média dez óvulos a cada estimulação e, às vezes, repetem o procedimento. "São poucas as que aceitam uma segunda vez." Segundo ele, as universitárias são abordadas por assistentes sociais que vão às faculdades e as convidam a avaliar a fertilidade. Na clínica, são informadas de que a análise dos óvulos complementa o check-up da saúde reprodutiva. "As que topam fazer a estimulação ovariana são convidadas a doar seus óvulos." Além de saciar a curiosidade de saber se são férteis, Abdelmassih alega que as jovens doam por altruísmo. "Tem gente ainda assim, boas e solidárias, graças a Deus." Na clínica Huntington, a mulher que precisa do óvulo paga o tratamento da doadora, em geral uma jovem que precisa da fertilização in vitro pois o marido é infértil. "Não existe doação altruísta", diz o médico Eduardo Motta, professor na Universidade Federal de São Paulo. A doação compartilhada já teve parecer favorável no CRM (Conselho Regional de Medicina) do Distrito Federal, mas não é prevista na resolução do CFM que regula o tema no âmbito federal. Roger Abdelmassih afirma que a idéia de procurar jovens doadoras ocorreu em razão do desconforto que sentia pedindo óvulos excedentes às clientes. O ginecologista Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte (MG), diz que já aceitou "duas ou três" doações de mulheres já mães em troca de DIU e laqueadura. "Elas é que vieram até a clínica à procura de métodos contraceptivos, mas, como não podiam pagá-los, propuseram doar os óvulos." Ele diz que, na sua clínica, a forma mais comum de obter óvulo é por "pareamento": a mulher que precisa do óvulo indica uma parente jovem disposta a fazer a doação a uma pessoa não conhecida. Outra paciente, preferencialmente de outra cidade, na mesma condição, faz o mesmo.
Escrito por Cláudia Collucci às 10h47
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Doação compartilhada divide os médicos
DA REPORTAGEM LOCAL
Escrito por Cláudia Collucci às 10h45
![]() Comércio de óvulos é ilegal, dizem juízes DA REPORTAGEM LOCAL
Escrito por Cláudia Collucci às 10h44
![]() Mulheres dizem que cederiam os óvulos de novo DA REPORTAGEM LOCAL
Escrito por Cláudia Collucci às 10h43
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Escrito por Cláudia Collucci às 11h10
![]() Doação de óvulos Percebo que é cada vez mais freqüente as dúvidas e os questionamentos sobre a doação de óvulos. Não há no Brasil lei federal que regule essa questão. Os médicos seguem as normas do Conselho Federal de Medicina, segundo as quais a doação deve ser voluntária e espontânea. Doadora e receptora não podem se conhecer e não pode haver relação comercial. Acontece que alguns passarinhos andam me soprando que a doação de óvulos não está tão altruísta assim. Existem médicos pagando para que mulheres doem seus óvulos às clientes das suas clínicas. O valor pago (entre R$ 1.000 e R$ 2.000) já vem embutido no tratamento. Entendo que dificuldade em se obter óvulos para doação e algumas clínicas têm feito programas de troca entre as pacientes. Algumas pagam o tratamento da outra em troca dos óvulos excedentes. Outras clínicas têm oferecido check-up grátis para que as potenciais doadoras se animem. Doar óvulos é bem mais complicado do que doar esperma. Para começar, a mulher tem de se submeter a uma estimulação ovariana com hormônios. Para colher os óvulos, ela será levemente sedada e o médico fará a aspiração retirando, um a um, com uma agulha que é introduzida na vagina. Dificilmente alguém, simplesmente por questão de bondade ao próximo, doará seus óvulos. Também existem questões de foro íntimo que precisam ser respeitadas. Algumas mulheres me relataram que não doariam óvulos porque, ao fazê-lo, ficariam imaginando se ele irá ou não resultar em um bebê e de como seria esse bebê, que, geneticamente, é seu filho. Não é tão simples como doar sangue. Conflitos também existem para quem recebe óvulo doado, embora muitas mulheres tentem esquecer desse fato. Falei recentemente com uma mulher que viveu essa situação nove anos atrás e hoje está mergulhada em um imenso conflito. Separada do marido, ela já foi ameaçada pelo mesmo de contar a verdade para a filha. Apesar de amar profundamente a filha e nunca ter parado para pensar que ela não é sua filha biológica, essa mulher vive uma imensa culpa por ter omitido esse fato da garota. Ao mesmo tempo, fica aterrorizada com a ameaça do marido. Enfim, como esse, há muitos outros conflitos emocionais que também envolvem a doação de espermatozóides. Enquanto o casal está bem, tudo corre nas mil maravilhas. Basta um conflito sério, como a separação, para as titicas voarem todas pelo ventilador.
Escrito por Cláudia Collucci às 21h05
![]() Mais histórias de abandono Gente, o que está acontecendo? As pessoas endoidecerem de vez? Mais três histórias de abandono de bebês surgiram hoje. Uma delas, trágica: um recém-nascido foi encontrado morto em um rio em Canoas(RS). Outro teria sido encontrado em Manaus e um terceiro foi abandonado numa rua de Belo Horizonte. Ainda não estou interada sobre as duas primeiras histórias. O outro bebê abandonado em BH, uma menina, foi encontrada em uma calçada na rua das Gaivotas, no bairro Vila Clóris, em Belo Horizonte (MG), na madrugada desta quarta-feira. Ela foi socorrida pela PM e passa bem. Ela possuía apenas uma identificação umbilical, de número 292, que poderá ser usada na localização da mãe. Não se sabe quanto tempo ela passou na calçada, mas ela não ficou ferida. O bebê estava envolto apenas por uma fralda de pano. A outra menina, encontrada na lagoa da Pampulha em BH, será registrada nesta quarta-feira como Letícia Maria Cassiano. O registro é provisório e poderá ser alterado por quem assumir a guarda da criança. O nome foi escolhido pela juíza do caso. Letícia significa alegria e Maria é uma homenagem a Nossa Senhora, em agradecimento por ela ter sobrevivido. Todas essas histórias, que nos deixam estupefados, também nos ensinam muito. A história de Letícia é particularmente cheia de simbolismos. Todos nós vivemos situações que não gostaríamos de estar vivendo na travessia da lagoa que existe dentro de nós. Mas, tal como Letícia, podemos decidir o nosso próprio destino se usarmos os recursos que temos, por mais frágeis que sejam, para fazer ecoar o grito da nossa salvação, diz a psicóloga Kátia Ricardi de Abreu, especialista em Análise Transacional. "Não importa se tudo parece grande demais, não importa se estamos nauseados diante de espetáculos decepcionantes da vida real. O que importa, é acreditar que a vida é inspiração divina. O tempo dirá o que esta criança vai fazer com a vida dela. Por hora, este frágil bebê nos ensinou a reagir diante do mal, do perigo, do abandono, da desproteção. Tal como o pedaço de madeira seca que a impediu de afundar e morrer, sempre poderá haver uma idéia, um pensamento, uma ação, um grito de esperança dentro de cada um de nós", resume Kátia.
Escrito por Cláudia Collucci às 12h05
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